Ele não aparenta a idade que tem, parece mais jovem , fazendo com que fique mais dengoso e indefeso pelo tratamento que recebe, principalmente de minha parte. Não consigo vê-lo com sua idade real.
Nesses anos todos de convivência professora/aluno, na escola, cantamos juntos, trocamos lanche (mais da minha parte que da dele) e rimos de bobagens. Às vezes reclamava quando conversava porque tinha dia que conversava mais que a “negra do leite”.
Quando temos relacionamento de irmã/irmão na igreja, ele vem pra pertinho de mim com papel e caneta, não se presta mais atenção nas mensagens... Ficamos desenhando, cochichando e fazendo adivinhações.
Todos os anos quando ele faz aniversário, um presentinho ele tem de ganhar. Como não lhe dar um belo presente!! Foram várias as fases: a da espada, jogos, carrinhos, materiais escolares... No momento, está entrando na fase do dinheiro! Como gosta de dinheiro! Também, quem não gosta?! Dei-lhe um cofrinho com um pouco de recheio para que ele possa guardar os seus níqueis.
Deixou de ser carregado a pouco tempo. A sua mãe dizia:
- Que coisa feia, um homenzinho no colo da professora!
Ele balançava a cabeça, revirava os olhinhos de cílios grandes e como quem censura a mãe pelo comentário, diz:
- Qué que tem?
Algumas vezes ele fica triste por não se aceitar como é, e nesse momento ele deixa de ser criança, preocupando-se com a sua vida e comparando-a com as de outras crianças.
Ele é especial pra mim. Quando ele adoece, meu coração diminui, fica apertadinho... Jamais estarei preparada para me despedir quando chegar a hora de sua partida.
Samai de Azevedo
Samai de Azevedo
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